PROCESSAMENTO DE ARTIGOS E SUPERFÍCIES EM ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE

  Os artigos de múltiplos uso em estabelecimentos de saúde podem se tornar veículos de agentes infecciosos, se não sofrerem processos de descontaminação após cada uso.

Os locais onde estes artigos são processados e as pessoas que os manuseiam também podem tornar-se fontes de infecção para hospedeiros suscetíveis.

No mecanismo de transmissão de infecção nos hospitais, as mãos contaminadas do pessoal hospitalar atuam como importante meio de disseminação.

Um dos processos que podem interromper esta cadeia é a esterilização de artigos, e outro, a desinfecção de artigos e ambientes, dentro das devidas proporções de necessidade.

O que se observa, frente às tentativas de múltiplos uso de artigos, é que a utilização de germicidas tem substituído erroneamente a ação mecânica da fricção, havendo um uso exagerado de produtos químicos em áreas e locais que representam pouco ou nenhum risco de infecção para os usuários e trabalhadores dos estabelecimentos de saúde; e que inexiste indicação detalhada sobre quais os locais, superfícies e artigos hospitalares que necessitam de processamento de limpeza, descontaminação, desinfecção e esterilização, e quais os métodos indicados para cada uso e processamento.

Além do desperdício de produtos, os quais tem alto custo aquisitivo num sistema de saúde, existe o desgaste/corrosão precoce de artigos e superfícies, bem como os problemas da toxicidade aos manuseadores e aos usuários, contribuindo, inclusive, para a poluição ambiental.

O custo da assistência e os recursos disponíveis forçam a múltipla utilização de artigos, pois estes são mais escassos que a demanda necessária e têm alto custo aquisitivo num sistema de saúde como o nosso.

O uso indevido e inadequado de produtos destinados a limpeza, descontaminação, desinfecção de superfícies e artigos hospitalares, e a esterilização de artigos levam milhões de dólares a serem gastos por ano, sem que os objetivos sejam atingidos.

A Portaria nº 930 *( D.O.U. de 27/08/92) substituída pela Portaria 2616, de 12-05-99, que atualiza conceitos e normas do controle de infecção hospitalar, relaciona, no seu anexo V, métodos e produtos químicos para limpeza, desinfecção e esterilização de artigos e áreas em estabelecimentos de saúde do pais. Ha necessidade de se detalhar prioridades, opções e considerações quanto ao tipo de carga microbiana depositada na superfície a ser processada, concentração de produtos, tempo de exposição, validade em uso e outros fatores relacionados.

Os objetivos desta norma técnica são orientar profissionais de saúde para o melhor uso e métodos de desinfecção e esterilização, e selecionar a aquisição de produtos de forma eficiente e eficaz, racionalizando esforços, recursos e tempo.

O processamento descrito nesta norma técnica refere-se aos métodos de limpeza, descontaminação, desinfecção de superfícies e artigos, e à esterilização de artigos e de algumas substâncias.

Os artigos compreendem instrumentos, objetos de natureza diversa, utensílios( talheres, louças, comadres, papagaios, etc.), acessórios de equipamentos e outros.

Nas superfícies estão compreendidos mobiliários, pisos, paredes, portas, tetos, janelas, equipamentos e demais instalações. Substâncias compreendem os produtos como água, pós, vaselina e outros.

 

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