CONTROLE DO PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃO
POR VAPOR SATURADO SOB PRESSÃO E CALOR SECO
O monitoramento é realizado
através da avaliação de parâmetros físicos,
químicos e biológicos. Entretanto, esta garantia está
na dependência de fatores como escolha do método de esterilização
adequado considerando o tipo de material a ser esterilizado, da embalagem,
da forma como se carrega o equipamento, do pré-tratamento dado
ao material. A presença de matéria orgânica no
material (óleo, gordura, sangue, pus, e outras secreções)
protege os microrganismos da ação do agente esterilizante.
TESTES FÍSICOS
Compreendem o desempenho do equipamento
e envolvem a observação de parâmetros, como a
leitura dos dispositivos presentes no aparelho que são o termômetro
e monovacuômetro na autoclave e o termostato e termômetro
na estufa.
Indicadores químicos
e indicadores biológicos para vapor saturado sob pressão
INDICADORES QUÍMICOS
CLASSE I – INDICADORES DE PROCESSO
Fita adesiva impregnada com tinta
termoquímica que muda de coloração quando exposta
à temperatura por tempo suficiente.
Tem a finalidade de demonstrar que
o artigo foi exposto ao processo de esterilização e
distinguir entre artigos processados e não processados.
A coloração não
homogênea da fita pode significar falha no processo de esterilização
e, portanto, não utilizar o material.
CLASSE II – TESTE DE BOWIE & DICK
É um método utilizado
para testar a eficácia do sistema de vácuo da autoclave
pré-vácuo. Apresenta-se em folhas únicas impregnadas
com tinta termoquímica, que muda de coloração
quando exposta à temperatura, ou em pacote teste pra pronto
uso. Deve ser usado diariamente.
CLASSE III– INDICADOR DE PARÂMETROS
SIMPLES
É um indicador de único
parâmetro, ou seja, responde a um único parâmetro,
escolhido do processo de esterilização, a temperatura.
Em virtude da existência de indicadores mais precisos, deixaram
de ser úteis.
CLASSE IV – INDICADOR MULTIPARAMÉTRICO
Indicador químico de uso interno
que responde a dois ou mais parâmetros críticos do processo
de esterilização, consistindo de uma tira de papel impregnada
com tinta termocrômica, que muda de coloração
quando exposta às condições mínimas necessárias
ao processo (tempo e temperatura).
Utilizar em todos os pacotes que forem
submetidos ao processo de esterilização, colocada preferencialmente
no local de maior dificuldade de penetração do vapor.
Quando ocorrer a não-coloração uniforme, não
utilizar.
Outro modelo de indicador químico
multiparamétrico encontrado no mercado consiste de indicadores
com temperatura especificada (121°C e 134°C) que, além
da penetração do vapor, também verificam temperatura
alcançada e tempo de esterilização.
CLASSE V – INDICADOR INTEGRADOR
Indicador designado para reagir a
todos os parâmetros críticos do processo de esterilização
a vapor (temperatura, tempo, qualidade do vapor).
Consiste de uma película sensível
ao vapor e à temperatura, acondicionada em uma embalagem formada
de uma lâmina de papel-filme e metal laminado com pastilha em
forma sólida em um papel condutor ou de tiras de papel impregnadas
com uma substância química que muda de coloração
quando exposta às condições de tempo e temperatura.
A difusão incompleta da pastilha
pode significar que nem todos os parâmetros do processo de esterilização
foram atingidos. Mudanças não uniformes na tira de papel
(indicadores que usam mudança de cor visual) também
significam que os parâmetros do processo de esterilização
não foram atingidos.
CLASSE VI – SIMULADORES – INDICADORES
DE VERIFICAÇÃO DE CICLOS
São conhecidos também
como indicadores de simulação, designados para reagir
a todos os parâmetros críticos, dentro de um intervalo
específico (ISSO 11.140-1/95). O indicador do tipo simulador
só deverá reagir quando 95% do ciclo especificado de
esterilização estiver concluído.
Tem por finalidade verificar a eficácia
do processo de esterilização em ciclos que não
possam ser controlados por IB's; por exemplo, ciclo de esterilização
para príons.
INDICADORES BIOLÓGICOS
PRIMEIRA GERAÇÃO
São envelopes contendo tiras
de papel com esporos secos de Bacilos Stearothermophillus ,
que após a esterilização a vapor devem ser encaminhados
para o laboratório para proceder à incubação,
por período de dois a sete dias.
Apresenta-se em envelope contendo
uma tira de papel com esporos secos.
SEGUNDA GERAÇÃO
São ampolas contendo esporos
secos e calibrados de Bacillus Stearothermophillus com uma
população mínima de 100.000 (cem mil) esporos,
com leitura final em 48 horas. São também conhecidos
como autocontidos, por conterem no mesmo frasco os esporos bacterianos
e o meio de cultura.
TERCEIRA GERAÇÃO
São indicadores biológicos
autocontidos que se assemelham aos de segunda geração,
sendo que a diferença entre eles está na metodologia
para detectação de crescimento bacteriano.
Estes indicadores só estão
disponíveis para processos de esterilização a
vapor, não existindo comercialmente para esterilização
pelo calor seco.
Tem por finalidade verificar a eficácia
do processo de esterilização com o menor tempo possível
(no máximo 3 horas), para liberação dos artigos
com segurança.
INDICADORES QUÍMICOS E INDICADOR
BIOLÓGICO PARA CALOR SECO
Indicador químico externo:
fita impregnada com tinta termocrômica que muda de coloração
quando exposta à temperatura do processo de esterilização
a calor seco.
Tem por finalidade comprovar que o
artigo-médico-hospitalar passou pelo processo de esterilização
a calor seco. Consiste de uma fita de dorso de papel crepado, especialmente
tratado para suportar altas temperaturas, impresso com tinta termosensível
e coberto com adesivo à base de borracha e resina.
É necessário colocar
em todas as caixas ou vidros.
Caso ocorra a mudança na coloração
do indicador químico impregnado, não utilizar o material.
Indicador químico interno
: Indicador do tipo multiparamétrico usado internamente
para controle químico do processo de esterilização
do calor seco.
Tem por finalidade comprovar que os
parâmetros da esterilização a calor seco foram
atingidos pro meio da mudança de cor do indicador químico
de bege para marrom-escuro ou preto.
Consiste em tiras de papel especialmente
tratadas pra suportar altas temperaturas, impregnadas com indicador
químico que muda de cor quando os parâmetros necessários
ao processo de esterilização por calor seco são
atingidos.
É necessário colocar
internamente em todas as unidades que serão esterilizadas por
calor seco.
Indicador biológico
para calor seco: Consiste de uma fita de teste acondicionada
em um envelope de papel. A fita indicadora contém uma população
conhecida de esporos de Bacillus Subtilis que são
especificados para monitorização da esterilização
pelo calor seco.
É necessário colocar
no interior de uma embalagem que represente o conteúdo de uma
carga. Todas as cargas devem ser monitorizadas.
SISTEMA DE REGISTRO
Todas as atividades e procedimentos
relativos ao processamento de artigos odonto-médicos-hospitalares
devem ser devidamente registrados.
Tem por finalidade padronizar os procedimentos
de esterilização permitindo a uniformidade, economia
e qualidade do serviço.
Práticas recomendadas:
Preestabelecer
normas e rotinas para a padronização dos procedimentos,
bem como garantir a qualidade dos serviços.
Cada ´pacote contendo os artigos
a serem processados deve conter os seguintes dados de identificação:
nome do conteúdo da caixa ou pacote, data da esterilização,
data da expiração da validade, nome do responsável
pelo pacote.
Quanto ao processo registrar: nome
do operador responsável pelo processo, resultado dos indicadores
biológicos, resultado dos indicadores químicos pertinentes.
Segundo a AORN (1999), os dados de
manutenção devem ser arquivados, sendo as informações
básicas: data do serviço, descrição do
problema detectado no aparelho, nome do técnico responsável
pela manutenção, descrição do serviço
realizado relacionando as peças trocadas, resultados dos testes
biológicos e químicos realizados após a manutenção.
Livro: Recomendações
Práticas de Biossegurança e Esterilização
em Odontologia
Autor: Luiz Henrique Pedroso - ( luiz.pedroso@terra.com.br
) Fone: 14 - 3322 3922